Monday, November 05, 2007

De Lang a Cronenberg

João Bénard da Costa diz, na folha da cinemateca, que a sequência mais forte de "Cloak and Dagger" (Fritz Lang, 1946) é a luta silenciosa entre Gary Cooper e Mark Lawrence. É bem capaz. E é curioso que durante a mesma me tenha lembrado das palavras de David Cronenberg lidas no último ípsilon. Parece que em "Eastern Promises" há uma sequência que Cronenberg engendrou depois de ter visto aquele vídeo que circula na net em que um terrorista decapita um prisioneiro (se não viram, não vejam). Cineasta do corpo, Cronenberg sabe que os superbourne são mentira e, em boa verdade, nem é preciso ser grande estudioso do corpo - basta já ter andado à porrada (e não me venham com agentes especiais contemporâneos e aquela arte marcial israelita, cujo nome agora não me vem). Não vi o novo filme do canadiano, mas aposto que será grande sequência. Mas, como tudo, isso já está lá atrás, precisamente nessa sequência do Lang referido - o silêncio, a lentidão, os esgares, a pressão das mãos. E isto vem dentro duma questão maior, isto é, o grau de verdade de um filme, neste caso, da verdade que se dá do corpo humano.

1 Comments:

Blogger Peeping Tom said...

Não vi o filme do Lang, por isso,quando li essas palavras do Cronenberg, lembrei-me da sequência do "Frenzy", quando o assassino demora uns bons dois minutos a estrangular a vítima. Suor, esforço, resistência: o mais interessante é que este realismo parte de um realizador do artifício.

12:31 AM  

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