Sunday, July 17, 2011

Joe Dante, Ridley Scott, James Cameron; Piranhas e Aliens

Cameron parece ter o dom das sequelas e nem as piranhas de Dante nem os aliens de Scott (banal, banalíssimo) têm hipótese com os de Cameron (nem o Cameron do exterminador um tem hipótese com o Cameron do exterminador dois). O sentido de espaço do "Aliens", aquelas panorâmicas como que a dizer "este é o espaço da acção, espectadores", devia ser dado nas aulas onde o JJ Abrams estuda (não vi nenhum filme dele, mas daqui a pouco vou ver o "Star Trek" e não deve ser uma questão de horas impeditiva de implicar com ele). Tenho muita simpatia com as piranhas do Dante, principalmente com a parte artesanal e com aquele humor, ora quase nonsense, ora corrosivo. Já tenho algumas dúvidas quanto a uma sequência ou outra, entre as quais aquela em que o puto vê o pai a morrer com uma normalidade assustadora. E já lá está o efeito sonoro das piranhas, uma delícia que Cameron vai explorar. Uma coisa como dugugugugugudududufuuguguguggu. Lindo. Mas, lá está, acho que basta um plano do Cameron debaixo de água para separar as águas em relação ao primeiro filme. Os silêncios desses planos, já o trabalho dos espaços (embora ainda não seja "Aliens", obra-prima), aqueles trinta segundos antes da Tricia O'Neill vir ao cimo no final, silenciosos, só olhares, som do mar, AQUELE SOM DA MADEIRA DO BARCO A RANGER, já me faziam ver, um ano antes de eu nascer, o quão grande cineasta Cameron se tornaria. Estou para ver os silêncios do "Star Trek". Um dia, talvez, verei o "Avatar". Duguguguududududduugugugugugug.

Saturday, July 09, 2011

4 Copas

Se o "4 Copas" é uma obra-prima? Não. Mas desanima, entristece mesmo, que filmes destes não tenham grande hipótese de recepção, quer para alguns críticos, quer para o espectador comum (médio), muito menos para os amantes de Marienbad. A raiz clássica é para arrancar e a "técnica invisível", não sei, aí algo que se teve que ultrapassar para chegar às obras-primas modernas (triplo itálico).

Aproveito só o post para um bem haja ao "Falkenberg Farewell" ("agora e na hora da sua morte"), aos pdfs de Veneza, à Super Bock, às DVCAMs, à Sociedade Optec, ao Nico Gaitan (melhor jogador da temporada 2011/2012), ao Nico do Steven Seagal, ao Bloodsport revisto no outro dia no Hollywood (ainda irresitível), ao "Double Indemnity" e ao José Rodrigues e ao Lérias.

Tuesday, June 28, 2011

It has begun

http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/apoio-ao-cinema-ligado-as-bilheteiras-e-revisao-das-entradas-gratuitas-nos-museus_1500629

Tempos de esperança, um novo governo com gente nova e capaz, uma viragem à direita ao sabor do vento europeu, a superação sempre evidenciada nos momentos de maior dificuldade, diferentes da Grécia e por isso provável inexistência de manifestações comparáveis, a fundamental diplomacia, tempos de esperança...

Pó caralho. Resultados de bilheteiras? Mas no Odivelas Parque? Na zona de Lisboa? Em Portugal? Nos "cinemazitos de arte e ensaio" em Tóquio? Viva Viegas, viva Passos Coelho, viva os "travellings descendentes", viva as mamas da Soraia, viva as mamas da Rita Pereira, viva as mamas da outra que faz séries "amaricanas", viva as mamas na generalidade. Viva os prémios, os festivais cheios de temas para chamar a malta (nestes tempos de esperança, acho que um filme como o "Ruhr" apresenta um argumento muito desequilibrado), viva o Câmara Clara e todo o turismo cultural. E pó caralho também os cineastas que vão começar a chorar pelo subsídio.

"O cinema é neste momento o inimigo número 1 das políticas culturais de todo o mundo."

Saturday, May 28, 2011

Campanha

O implacável trambolhão que a televisão nos mostrou na noite do passado dia 16 [de Dezembro de 2001 - noite em que a pesada derrota do PS obriga à demissão do então primeiro-ministro António Guterres] foi, assim, o de um corpo de funcionários, cuja "competência" seria, aliás, emblematicamente demonstrada pelos protagonistas escolhidos, pelo PS, para a abertura da "soirée" eleitoral: Armando Vara (o "estratega" da campanha) e José Sócrates (sorridente comentador (?) no Canal 1), precisamente dois dos coveiros mais sinistros do prestígio que António Guterres gozou no início da sua primeira legislatura, e que acaba, assim, ingloriamente, no meio do maior pantanal político de que se tem memória no Portugal democrático.

in "A Noite da Traulitada", O Livro das Imagens, João Mário Grilo, Minerva Coimbra, 2007

Tuesday, May 17, 2011

Double Bill

Toujours Moins, Moullet

+

Robocop, Verhoeven

Tuesday, March 29, 2011

Estão todos mortos

Nas palavras de Alberto Seixas Santos, foi com o decorrer do tempo que percebeu que no centro da sua obra está sempre a ideia de morte: morte do salazarismo em “Brandos Costumes”, morte da revolução em “Gestos e Fragmentos”, morte do colonialismo em “Paraíso Perdido”, morte dos afectos em “Mal”. Dado que em “Mal”, para além dessa morte dos afectos, se encenava uma espécie de apocalipse, um fim do mundo, apetece dizer que no seu último filme, “E O Tempo Passa”, estão já todos mortos. Nos dois filmes anteriores (ou nos três, contando com “A Rapariga da Mão Morta”), filmes em que depois das primeiras obras, Seixas Santos trabalhava mais próximo de uma ideia mais canónica de ficção, havia ainda uma pequena centelha de desejo de vida, apesar dos medos em “Paraíso Perdido”, apesar da doença em “Mal”. Ora, em “E O Tempo Passa” essa centelha já não existe e o cinema de Alberto Seixas Santos existe num ambiente, então, pós-apocalíptico. Quando não se está num outro lado – a personagem de Isabel Ruth, sem vida para com quem a rodeia, presa por um fio que são as conversas ilusórias que mantém com o marido, morto há muito – está-se num décor de telenovela (a falsidade), onde a estrela principal mantém um registo zombiesco, quer estejam ou não a gravar, a estrela adolescente está apaixonado pela estrela principal, quer estejam ou não a gravar, um “intruso” nas filmagens tem os mesmos sentimentos para com os actores e com as personagens, não as sabendo distinguir, os técnicos e produtores falam como máquinas de uma linha de produção. Quer estejam ou não a gravar. Por isso é aleatória a decisão do realizador deixar em campo a gravação da telenovela ou a própria telenovela (onde, já agora, as caricaturas de personagem representam somente a morte destes registos estafados de ficção): nenhum personagem de “E O Tempo Passa” distingue um registo do outro. Não é novidade dizer que o cinema de Alberto Seixas Santos ruma desde há muito por um desencanto, um pessimismo aliado a uma geração que em pouco tempo perdeu qualquer esperança nascida com a revolução de 74. “E O Tempo Passa” poderá ser um culminar, o filme do pós-apocalipse, uma última ficção onde o desejo de real ainda arde (o cinema não morreu, Sr. Alberto). É um nocturno desencantado, personagens que vivem num mundo com pouca luz. Se não me falha a memória (só vi o filme uma vez), o único plano mais luminoso, excluindo os da telenovela, é o daquele movimento de câmara que encaminha Isabel Ruth para a árvore que recebe nos seus ramos o vento (o cinema não morreu, Sr. Alberto) e em que se opera uma elipse para a morte de que só os grandes são capazes. (Cruel ironia, foi também zombiesca a vida de “E O Tempo Passa”, reduzido das 15 sessões na primeira semana a 5 na segunda – divididas por Almada, Amoreiras e Alvaláxia. Sem direito a terceira semana. No Público, o filme é ignorado. Curiosamente, aquando de Deus Godard, pediram uma opinião a Alberto Seixas Santos para na semana seguinte ignorarem a estreia do seu filme e duas semanas depois nenhum dos seus agora três críticos ainda o ter visto. Ocupados com Ozon, Deneuve e Huppert, com certeza.)

Thursday, January 27, 2011

Uma lista

1- boxing gym
2- ruhr
3- tulpan
4- wendy & lucy
5- ruínas
6- toy story 3
7- a dança
8- o mágico

Sunday, September 12, 2010

Empréstimo

Não sei a quem emprestei um VHS que, entre outros, continha o Rancho Notorious do Lang e o Detail do Mograbi. Preciso de o reaver. Obrigado.

Wednesday, September 08, 2010

Escola de cinema (diálogos)

- Na vindima aproveitava para comer uvas. Nunca se comia uvas, naquele dia comia o máximo que podia, nem que no dia a seguir estivesse de caganeira. Ainda deixávamos uns cachos escondidos entre as folhas, mas o meu pai ia por trás e cortava tudo.

- E eram vocês os ricos lá da aldeia.

- Havia mais ricos que nós. (Pausa.) Nós não éramos ricos. Tínhamos terras, pinhais e uma casa.

- Na minha aldeia, quem tivesse terras, pinhais e uma casa era rico.

- Mas não tínhamos dinheiros.

- Dinheiros não interessa. Dinheiros não havia em lado nenhum.

Sunday, May 16, 2010

i hope you have the drugs to sort it out (um post emocional)

Ao pai que não sabe que isto existe; às futuras mães, que talvez ainda passem por cá.

Thursday, May 13, 2010

30 filmes com o Paraíso do Gelado #23

Tout Les Nuits, Eugene Green, 2001

Thursday, April 15, 2010

Ai, os anos 70...

Outro filme que começa depois de quinze minutos é o “The Mechanic” (Michael Winner, 1972). Mais uma vez, não se dá o caso de, após esses primeiros quinze minutos, o filme se tornar desinteressante. Simplesmente, a disponibilidade para se respeitar um tempo preciso não tem continuidade, já que a primazia começa, a indústria manda, a ser dada à narrativa. Nesses primeiros quinze minutos, Charles Bronson planeia e executa um assassinato. Observa, regista, estuda, conclui; prepara, executa, conclui. E o filme com ele. É aquilo a que chamo um respeito pelo tempo e, consequentemente, um respeito pela duração das acções – neste caso, trata-se disso afinal, um respeito pelo trabalho e pela sua verdade.

Não é caso único no cinema americano dos anos 70. Foi época em que houve liberdades (eventualmente mais consentidas do que verdadeiramente ganhas) que, por sua vez, e no caso dos cineastas mais interessantes, se transformou num cinema ousado, porque atento a tais detalhes. Ainda retomando a ideia acima, “All The President’s Men” (Alan Pakula, 1976) parece um filme mais sofisticado. Durante mais de duas horas, a narrativa do filme incide precisamente nesse respeito pelas durações, no caso específico a duração de uma investigação jornalística, e assim cria um tempo que se sente justo, porque mais próximo do verdadeiro. O filme de Pakula está próximo de outro feito cinco anos antes por William Friedkin, “The French Connection”, talvez o meu preferido destes três. Também aqui toda a estrutura narrativa respeita a investigação policial do duo de polícias.

Por estes tempos, é mais difícil encontrar tal respeito pelas durações das acções. Para cinquenta “CSIs” há um “The Wire”; para cinquenta sei lá que filmes policias vão estreando há um “Politist, Adjectiv” (Corneliu Porumboiu, 2009), que espero ver estreado cá o quanto antes. Pelas mesmas boas razões que os dois filmes e quinze minutos acima referidos.

Friday, February 26, 2010

plim plim plim (lágrimas)

Se há coisa que me vem chateando cada vez mais no cinema, são as bandas sonoras coladas aos filmes. Isto a propósito da "obra-prima" "A Single Man", belo filme (mas e se formos ver o "Vertigo" outra vez? - o poster é de "Psycho", mas o que há ali é algo de "Vertigo"), em que a musiquinha não dá descanso a quem vê, sempre ali plim plim plim. Não chega a essa tortura que é ver "The Hours", em que Philip Glass (prestígio) tenta matar um espectador ou outro. E podem juntar o Eastwood a isto, sim senhores, mesmo nos seus filmes mais fortes, sei lá, "Million Dollar Baby", por exemplo, meia volta lá vem o plim plim plim. Sim, sim, os mudos já eram acompanhados ao piano, blá, blá, blá, mas um filme como "The Wind" não tem música suficiente? "Douro, Faina Fluvial"? Já disse isto uma vez e já era a repetição do que disseram outros: a música tem que estar na montagem. "Million Dollar Baby" não deixa de ser enorme, "A Single Man" é um belo filme, mas deixem lá o piano para o Arvo Pärt. Por falar em Arvo Pärt, apetece também relembrar Kubrick, que dizia qualquer coisa como serem desnecessárias as bandas sonoras originais, já que espólio de excelente música clássica é tão grande, mais vale ir lá pescar. Em relação a Pärt, ide ver Godard, Rosenblatt e Van Sant. Pelo menos o plim plim plim é de qualidade. Como o é em "Vale Abraão"*, visto no outro dia na Cinemateca, meia sala Luís de Pina, Debussy e Beethoven, entre outros, a darem um plim plim plim de qualidade. Triste é eu não reconhecer o "Clair de Lune" de Debussy de outro sítio a não ser de "Ocean's Eleven". Isto da clássica, no entanto, também tresanda a prestígio, por isso é deixar os filmes sem plim plim plim e deixar as bandas sonoras, sei lá, com o som de uma enxada a furar a terra. São ideias.


*Isto de escrever um post já dá trabalho, por isso escrevo a segunda coisa que queria escrever neste post também. Meia sala Luís de Pina para o "Vale Abraão", portanto. Está certo que é um filme muito mais visto já do que "Trás-os-Montes". Mas ter-me deparado com a mesma sala esgotada e com as escadas laterais de cheias de gente sentada para uma projecção deste último não deixa de me surpreender e contentar. Se fosse na Félix Ribeiro, sala esgotada e escadas ocupadas, seria desde logo uma sessão histórica. É claro que 50 pessoas para um filme não será nunca histórico. Mas no meu íntimo, não deixa de o ser um pouco. Claro que eu não sou de uma geração que possa assistir a sessões históricas e é por isso que há uma tristeza nisto tudo. Há trinta e tal anos uma sessão histórica era a de Rossellini na Gulbenkian. Hoje, tenho que me agarrar a 50 pessoas a ver o Reis para tal facto.

Até para o mês que vem.

Friday, February 05, 2010

Desabafo